Respirávamos melhor quando a palavra vento abria
as portas da nossa casa e a palavra criança
irrompia trazendo o sol a saltitar nas mãos
para que não tivéssemos frio.
Havia palavras como desejo, brisa, navio
que desenhavam rotas entre o teu e o meu corpo,
margens de um mesmo rio.
Ouvi dizer que as palavras envelhecem
que algumas adoecem gravemente
e podem mesmo morrer.
Ah, que farei se a palavra mãe, a palavra ninho
a palavra terra e outras palavras com raiz
envelhecerem no meu canto, no meu peito, no meu país?
Lídia Borges (2015: p.59), Baile de Cítaras, Poética Edições
(imagem:Michal Lukasiewicz)

1 comentário:
Não ligues, Poeta
a tudo o que oiças dizer
as palavras são eternas
nós é que as fazemos morrer
Dizem que ressuscitam
sempre,
quando acontece um poema
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