segunda-feira, 14 de novembro de 2016

"As vozes de Isaque"



No sábado passado, teve lugar, em Lisboa, na livraria “Pó dos Livros”, uma tertúlia / lançamento do livro As vozes de Isaque – Derivações poéticas a partir da obra O Último Poeta, de Paulo Morais, (onde me faço representar com três poemas, ao lado de outros autores da “Poética Edições”).
Foi uma tarde de encontros. Pessoas, sorrisos, vozes e ideias andaram por ali em torno da poesia, bajulando-a literalmente e literariamente. Foi uma tarde muito produtiva à qual nem faltou a questão dos leitores que faltam à Poesia. A Escola, a formação de leitores, o mercado editorial, a responsabilidade e o empenhamento efetivo de todos nesta empresa que se deseja (deseja?) forte.
É claro que ao sair não vinha nada tranquila. Basta que, como referi na minha intervenção, os objetivos (que se definem a si próprios, já que o poeta, quase sempre, não os sente - sentir, sinta quem lê), os objetivos, como dizia, de quem utiliza a arte como modo de expressão, passam por “clarear”, “dar a ver”, o que se opõe nitidamente aos dos poderes políticos subjugados ao Económico que, cada vez mais, passam por um  “ocultar”, disfarçado em manobras de diversão que, por vezes, parecem mesmo abraços. Na verdade, Cultura/Arte e Poder Político são assim como irmãos desavindos, ligados por imperativos de ordem "natural", cada um a puxar para o seu lado, a Arte para o Humano, o Poder Político para o capital. Conciliáveis em algum ponto, pergunto? 


Como isto se resolve é que eu não sei dizer. Mas creio que para levar um sonho até ao sopé da realidade é necessário que todas as forças interessadas se conjuguem num só esforço. No princípio de tudo, teria de constar um inequívoco SIM, à pergunta: A Arte faz falta? Consta?

Levei uma folha em branco. Lá, ocorreu-me colocar, na frente, Teixeira de Pascoaes – Sem Poesia não há Humanidade – e no verso, Manoel de Barros – Meu filho você vai ser poeta! Você vai carregar água na peneira a vida toda.
 

2 comentários:

Graça Pires disse...

Obrigada Lídia. Gostei tanto de te encontrar... Também me soube a muito pouco...
Um beijo.

Primeira Pessoa disse...

Adoro estes encontros, Lidia. Infelizmente, eles se tornaram cada vez mais raros.
Resistamos.

abração do

r.