quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Em rigor



                                                                                                                                                                                                         (google s/ind.autoria)

 

fiquemos então a debater-nos
neste corpo comum em declínio
e tentemos salvar da morte
algumas palavras com que diremos vida.

neste mar de fráguas
sem outro chão onde germinem navios e rios
me construo presença em maré de delírio.
e contradigo hoje o “nada mudará”, o “sempre assim foi”
compactos e opressivos.
porque no espaço amplo do burlesco
cada coisa há muito deixou de ser o que parece.

olhado o quadro por este ponto de mira
talvez haja cura para o “sem-cura” que parece.
seja o arbítrio em raiz a polinizar  a infertilidade,
faculte-se ao quadro outra moldura
reinvente-se novos louvores à loucura,
acendam-se as mesmas velas a outros santos,
aos mesmos ventos acene-se com outras velas.

iludamo-nos sobriamente em alegria
até que o tempo se denuncie  
[em eternos sossegos] remoto e esgotado.






1 comentário:

Rogério G.V. Pereira disse...

numa primeira leitura
salvei palavras
poucas
numa segunda
salvei todas

a custo
aceito o sentido do poema
e tu sabes porquê