(google s/ind.autoria)
fiquemos
então a debater-nos
neste
corpo comum em declínio
e
tentemos salvar da morte
algumas
palavras com que diremos vida.
neste
mar de fráguas
sem
outro chão onde germinem navios e rios
me
construo presença em maré de delírio.
e
contradigo hoje o “nada mudará”, o “sempre assim foi”
compactos
e opressivos.
porque
no espaço amplo do burlesco
cada
coisa há muito deixou de ser o que parece.
olhado
o quadro por este ponto de mira
talvez
haja cura para o “sem-cura” que parece.
seja
o arbítrio em raiz a polinizar a infertilidade,
faculte-se
ao quadro outra moldura
reinvente-se
novos louvores à loucura,
acendam-se
as mesmas velas a outros santos,
aos
mesmos ventos acene-se com outras velas.
iludamo-nos
sobriamente em alegria
até
que o tempo se denuncie
[em
eternos sossegos] remoto
e esgotado.

1 comentário:
numa primeira leitura
salvei palavras
poucas
numa segunda
salvei todas
a custo
aceito o sentido do poema
e tu sabes porquê
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