sábado, 5 de novembro de 2016

«Os sentimentos que iluminam o olhar»



 imagem s/ ind. de autoria


Há um extremo cansaço na escrita
uma fadiga que deixa no texto
a sua dedada grossa e comprometedora.
Batem-me à porta e não respondo.
Prefiro ficar no aconchego triste
das sílabas mastigadas em silêncio
enquanto os cães passeiam pela casa
a inocência de um contentamento
que todos os dias se renova
com ossos, carícias e pouco mais.
Se tudo na vida fosse assim tão simples,
gostaria de acabar os meus dias
num canil, a uivar à lua,
eternamente enamorado pela beleza nocturna
dos sentimentos que iluminam o olhar.

José Jorge Letria (2016:p.22), É Tudo Uma Questão de Tempo 
 ***
Por vezes tenho tanta pena de não ter escrito certos poemas que leio, como este, por exemplo.
Não podes gostar de tudo - dizem-me. Não gosto de tudo. Reservo-me o direito de não me manifestar, quanto ao que não gosto. Falar do "não gostar" faz-me mal.

 
 

1 comentário:

Rogério G.V. Pereira disse...

Partilhamos da mesma pena...
...e (quase) tudo o que escreves eu comento
quando não sei o que escrever, invento