sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

À mesa








sem romance, sem paisagem nem lisonja,
o sem sentido da Cidade.

sua enormidade
seu anonimato
sua angustiante solidão
refugiada atrás das portas
do passado.

aqui e agora, uma terra desflorada
de trovas de amor ao luar,
pela decadência irreversível 
dos dandys aviltados,

uma terra de flores parnasianas
atiradas à lixeira...
e um desejo absurdo de sofrer,
que emerge do poema de Cesário,
o gás enjoativo à flor do sangue,

impiedoso alimento 
continuamente servido à mesa
e uma [incurável] inaptidão
para o demais, para o vindouro.
 

2 comentários:

Graça Sampaio disse...

Ia a meio da leitura do poema e já me estava a lembrar dos versos de Cesário... e aí eis que ele aparece (quase) em carne e osso...

Beijinhos, Poeta!

Rogério G.V. Pereira disse...

e se esse vindouro
não fosse mais do mesmo
e fosse outro?

renascias hábil?
serias outra?