Coloca o fato de
proteção
o capacete, as
barbatanas,
o tubo e o bocal
para continuares a
respirar
quando mergulhado no
mar
conturbado da
linguagem.
Verás à entrada do
poema,
um lirismo extasiado na
voz do vento
roçando velas e
mastros
em desvario.
Não te esqueças:
deves chamar ao barco,
sonho,
crina, ao vento,
ave, ao coração
se o teu nasceu para
voar.
Recolhe tudo o que te espanta
na gestação dos dedos.
Rompe a aridez das
palavras
demasiado concretas. Despe-as
devagar,
deixa que se
signifiquem amplamente.
Dá-lhes a beber umas gotas de loucura,
e de ternura, uma mão
bem cheia.
Toda a sede é
distância
na porta entreaberta
do poema.
Deixa que se escrevam por si, as palavras
na pele branca de uma
folha de papel,
ébrias de tanta sobriedade.

4 comentários:
fica a dúvida
se o desenho te ilustra
ou se foi ele inspirado
pelo poema, tão belo
Que bem despe (e volta a vestir) as palavras! Muito lindo! Muito lindo, mesmo!
"Toda a sede é distância
na porta entreaberta do poema."
Magnífico poema, Lídia!
Uma boa semana.
Beijos.
E depois das palavras esvoaçarem no coração da poetisa, elas pousaram na folha e formaram este belíssimo poema.
Beijinhos
Maria
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