Má
literatura é plantar versos nos canteiros do pátio
como se
o pátio fosse o mundo.
Pudesse
a porta da sala dar acesso direto ao vento
em vez de dar acesso ao pátio.
Soubessem
as mãos ainda desbravar
o trilho
das papoilas, das urzes, do trigo…
E nos verbos
inventar o rasgo que faz cintilar
a água fresca
de velhos poemas.
Transbordantes.
O mundo a revelar-se
em cada
esquina, em cada face, em cada ferida
em cada flor, em cada sorriso.
Dessem
acesso ao mundo
todas as
portas de todos os pátios,
Boa seria
a literatura. Já o mundo...
Só
o deserto dos campos, dos bosques, dos corações
me é
nítido. De olhos abertos, pesa muito um deserto.
Cruzá-lo
apenas para te ver chegar.
E sobre dunas edificar
um pequeníssimo
rio,
correndo sereno da garganta para o mar.

3 comentários:
Há quem diga que a poesia é ouvir no silêncio e ver na escuridão. A boa literatura diz-nos que o que acontece dentro dela é também o que acontece dentro de nós... O teu poema diz-me que a Poesia se faz com grandes poetas como tu.
Uma boa semana.
Beijo grande.
"Soubessem as mãos ainda desbravar"
Tens mãos sábias
Sabias?
Fossem, Lídia, "os canteiros do pátio" a pequeníssima luz de um acorde que agora oiço saído da guitarra de Filomena Moretti e o vento seria a voz da poesia no interior dos bosques. E não é?
Do Álvaro
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