
Uma avalanche de acontecimentos, uns bons, outros, nem tanto, deixam-me sem tempo para escrever e, sem tempo para escrever, com a pintura no cavalete inacabada a chamar por mim, tudo se transtorna, por aqui. O navegar, de repente, pressa, e a pressa, deriva. Começo a ficar insegura, desconcentrada, alheada como se tivesse esquecido de tomar os tranquilizantes que nunca tomei.
As Semanas da Leitura já se iniciaram e as visitas às escolas obrigam-me a uma organização cuidada, ao ponto de parecer, aos miúdos, descuidada o bastante para poder ser, por eles, apreciada. Isto ao mesmo tempo que vejo dois livros, em simultâneo, quase prontos a voar. Os dois para a infância que é onde me sinto mais confortável. Coisas Boas de Contar, poesia, sem nenhuma outra pretensão que não a de fazer aderir as crianças aos textos através da sonoridade da palavra, da rima, do ritmo, do lúdico, (porque as crianças precisam muito de brincar para não desaprender), apareceu por vontade própria e antecipou-se ao Aqui há Gato que estava pensado e escrito, desde há mais de um ano. Este último narra (poeticamente) as travessuras de um gato amigo do risco e dos riscos. O primeiro com poucas ilustrações, (?) minhas, e o segundo ilustrado, devidamente, pela Sílvia Mota Lopes, são já esperados em diversas bibliotecas, facto que me foi dado a conhecer e que me deixou muito feliz, por um lado, e por outro lado, muito ansiosa, pois que a escrita para crianças é sempre um ato de responsabilidade maior ainda que, para meu contentamento, sempre eminentemente poético.
Do Coisas Boas de Contar, a partir de 29 deste mês, em pré-lançamento pelas escolas:
Bicho-de-conta
O bicho-de-conta
não sabe contar.
Mas que afronta!
A quem se contar:
um bicho-de-conta
que não acerta
uma só conta.
não sabe contar.
Mas que afronta!
A quem se contar:
um bicho-de-conta
que não acerta
uma só conta.
E se lhe pedem
que conte
brinca ao faz-de-conta.
Põe-se a enrolar, a enrolar,
desaparece o bicho-de-conta
e em seu lugar
fica uma pérola a rebolar.
brinca ao faz-de-conta.
Põe-se a enrolar, a enrolar,
desaparece o bicho-de-conta
e em seu lugar
fica uma pérola a rebolar.
Será que enfim
achei
a conta que faltava
a conta que faltava
na volta do meu
colar?
Lídia Borges

1 comentário:
E muito me conta
Como sabe tenho um livro
há muito na cabeça
Já lhe contei isso
(e até lhe fiz uma promessa)
Seu anúncio é um incentivo
"vou nessa"
...e quanto ao sol...
lembrei-me do Manuel da Fonseca!!!
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