Daniel Gerhartz
tenho o
hábito de frequentar
poemas a
horas tardias
quando estes
estão mais perto de ser
música ou
vidro.
às vezes
digo para comigo
que a música
e o vidro são feitos
de matéria muito frágil
igual às
flores que me morrem
não raramente
nos braços.
tenho o
hábito de frequentar
poemas a
horas tardias
quando estes
estão mais perto de ser
música ou vidro
raramente,
botões de rosa
agora que tantos perecem em meu peito
sem que
nenhum deles tenha
atingido a súbita
alegria de ser flor.
uma flor no teu olhar refletida.
tudo o que
nesses poemas se lê, eu vejo, eu meço
e permaneço
e penso. penso e não sinto,
sinto
o requiem de
Mozart
mais intenso
que nunca
a intrometer-se lancinante
no murmúrio
surdo
que trespassa o coração do poema
onde tudo vive e tudo me dói.

4 comentários:
... mas cada dia, não importa a hora, algum se transforma em mais uma linda flor! E... não importa a hora, haverá sempre alguém ansioso por dar-lhe regaço!
Beijinho
Um poema profundamente tocante. Frágil também, porque é feito de dor.
Um beijinho comovido
O Toque do coração
Visitar o poema a horas tardias e deixar que ele seja música, dor, júbilo ou simplesmente as palavras escritas do poeta...
Magnífico, Lídia!
Um beijo.
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