voltejam
em
redor do tanque
fazem
estremecer a pele da água
em
círculos
andorinhas
primeiro e logo depois
conceções
a branco e negro
volúveis.
é
comum haver dentro dos poemas
seres
a transmutar-se
vertiginosamente diante da perplexidade
do olhar
mas
o mais desconcertante
é
ainda o mistério do enlace
entre
a liberdade do voo
e
a celebração da palavra.
dói-me
esta ausência minha
no
hiato inabordável
onde o poema acontece.
as
andorinhas voltejam, é certo
e
nem uma ponta de romantismo
há
nisso.
apenas
na memória o peso
da
sua exterioridade excessiva
sedimento
improvável da fala.
reais
até à alucinação do verso
que se não deixa colher
e todavia...
infinita,
a Poesia.
(imagem: Agnieszka Motyka)

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