terça-feira, 16 de maio de 2017

Infinita a Poesia







voltejam
em redor do tanque
fazem estremecer a pele da água
em círculos
andorinhas primeiro e logo depois
conceções a branco e negro
volúveis.

é comum haver dentro dos poemas
seres a transmutar-se
vertiginosamente diante da perplexidade
do olhar

mas o mais desconcertante
é ainda o mistério do enlace
entre a liberdade do voo
e a celebração da palavra.
dói-me esta ausência minha
no hiato inabordável
onde o poema acontece.

as andorinhas voltejam, é certo
e nem uma ponta de romantismo
há nisso.
apenas na memória o peso
da sua exterioridade excessiva
sedimento improvável da fala.

reais até à alucinação do verso
que se não deixa colher
e todavia...

infinita, a Poesia.




(imagem: Agnieszka Motyka)

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