(Gianni Strino)
andava distante
abusando da pouca poesia.
a cada instante
em limos verdes se vertia
e deixava passar em branco
aves de saudade e beijos de colibri
como sonhos deixados
ao abandono por ali.
remendava a dor
com as últimas estrelas
da última constelação
e deitava-se na sombra
de um rasto que fora trovão.
andava distante
sem encontrar sorriso que
se visse
ou verbo que lhe acudisse
remendava a voz aqui e ali
com descontinuados brados
povoados de insetos
quietos
de pernas para o ar
impedidos do ato de voar.
e dobrava os rios que
tinha inventado
com os peixes dentro
e as algas as cachoeiras
os seixos…
e depois de tudo desconsertado
catados os espinhos da
água
descerrava um molho de nuvens
e com modos hábeis
desenhava no peito
uma abertura para
o deserto.
abastece agora a solidão
raiz do canto no canto da boca
no seio do coração.

1 comentário:
Belissimo poema.
Bom fim de semana
Beijinhos
Maria
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