Os meus pensamentos vão se afastando de mim. Vejo-os ao longe, sem os distinguir, matéria compacta da qual se evadiram formas, texturas e contornos. Melhor assim! Passar pelas coisas sem as ver, sem as sentir, como quando, às escuras, contornamos a cómoda do quarto sem a vermos, sem a pensarmos porque a sabemos ali e sabemos o espaço que ocupa, um saber intuitivo que já não necessita do sujeito para ser. Um saber que, de tão objectivamente assimilado, se esgota, subjectivo e incorpóreo. A possibilidade de tornar mais ampla a compreensão das coisas, engolida, sofregamente, pela invisibilidade a que são votadas. Conscientemente. Melhor assim!
E, contudo, no
lugar em branco deixado pelos pensamentos, minúsculas borboletas em alvoroço buscam uma flor para morar.
(imagem: pesquisa Google s/ ind. autoria)

3 comentários:
O alheamento da realidade, pode ser mais fácil para quem o tem, mas é muitas vezes doloroso para quem rodeia.
Beijinhos
Maria de
Divagar Sobre Tudo um Pouco
É fantástico o teu texto, Lídia. Mas o mais fantástico é que te reconheço nele. Também tu passas pelas coisas de uma forma quase etérea...
Um beijo grande.
Os pensamentos, por mais importantes que pareçam, não passam disso mesmo: conjecturas. Entretanto a vida gira, sem parar, quer nós entremos no carrossel, ou não.
Muito bom, Lídia!
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