domingo, 9 de julho de 2017

Por fim



 Gianni Strino
que desalentos vieram contaminar
o ar entre nichos, ventos e fráguas?
finos fios terebrantes de guitarras  
imergindo nas águas plangentes
desses sôbolos rios que vão.

no centro da noite que a si me chama
vejo-te ainda. mas ver-te não é já
o tranquilo regresso a casa,
essa curva sublime na lembrança
o amor… a alegria que não cabe
[não pode caber]
na escassez de duas sílabas canoras. 

a todo momento, a irreversível lonjura
o entorpecimento das searas, a recusa do sangue
do grito das papoilas
a debandada dos corvos, por fim.

quantas promessas de trigo assombradas
na interdição das mãos?
instruo-me,
não sei se pela ternura se pela mágoa,
na suprema arte do puro despojamento.



 

2 comentários:

Rogério G.V. Pereira disse...

Fosse eu pintor
e colocaria numa tela
um rio
com um fio
de água
papoilas corvos
a tons
de ternura e mágoa

chamaria ao quadro
"despojamento"

Graça Pires disse...

"a todo momento, a irreversível lonjura
o entorpecimento das searas, a recusa do sangue
do grito das papoilas
a debandada dos corvos, por fim."
Como gosto de te ler, Lídia.
Uma boa semana.
Um grande beijo.