Gianni Strino
que desalentos vieram contaminar
o ar entre nichos, ventos
e fráguas?
finos fios terebrantes de
guitarras
imergindo nas águas plangentes
desses sôbolos rios que vão.
no centro da noite que a si
me chama
vejo-te ainda. mas ver-te não é já
o tranquilo regresso a casa,
essa curva sublime na
lembrança
o amor… a alegria que não
cabe
[não pode caber]
na escassez de duas sílabas
canoras.
a todo momento, a
irreversível lonjura
o entorpecimento das searas, a recusa do sangue
do grito das papoilas
a debandada dos corvos, por fim.
quantas promessas de trigo
assombradas
na interdição das mãos?
instruo-me,
não sei se pela ternura se
pela mágoa,
na suprema arte do puro despojamento.

2 comentários:
Fosse eu pintor
e colocaria numa tela
um rio
com um fio
de água
papoilas corvos
a tons
de ternura e mágoa
chamaria ao quadro
"despojamento"
"a todo momento, a irreversível lonjura
o entorpecimento das searas, a recusa do sangue
do grito das papoilas
a debandada dos corvos, por fim."
Como gosto de te ler, Lídia.
Uma boa semana.
Um grande beijo.
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