domingo, 2 de julho de 2017

SOPHIA, (13 anos sobre a sua morte.)



(imagem: pesquisa google)



Casa Branca

Casa branca em frente ao mar enorme,
Com o teu jardim de areia e flocos marinhas
E o teu silêncio intacto em que dorme
O milagre das coisas que eram minhas.

A ti eu voltarei após o incerto
Calor de tantos gestos recebidos
Passados os tumultos e o deserto
Beijados os fantasmas, percorridos
Os murmúrios da terra indefinida.

Em ti renascerei num mundo meu
E a redenção virá nas tuas linhas
Onde nenhuma coisa se perdeu
Do milagre das coisas que eram minhas.

Sophia de Mello Breyner Andresen (2010:p.30), "Obra Poética", Edição de Carlos Mendes de Sousa, Caminho.

1 comentário:

Rogério G.V. Pereira disse...

O milagre das coisas que eram (e continuam) nossas
não falo dessa casa, falo da (nossa) minha Sophia