quarta-feira, 23 de agosto de 2017

(das) hierarquias




Tinha o poema quase concluído. Fazia a minha caminhada matinal e ele escrevia-se autonomamente no cérebro, passo a passo, sob a minha vigilância. Não ia mal de todo. Seguia dentro dos tropos habituais, iluminando os contratempos do tempo, o lado menos solar da vida que é onde ele mais gosta de permanecer. Havia umas hastezinhas a podar, é verdade, mas fá-lo-ia na hora de o transcrever no computador...
De súbito, um desses sistemas de rega automática, confundiu-me, por certo, com um arbusto (andante) do jardim onde operava e atingiu-me em cheio com um abundante aguaceiro. Algumas pessoas que caminhavam uns metros atrás de mim indignaram-se logo, (em solidariedade), com a orientação dada ao “regador” que levava os transeuntes a desviarem-se do passeio, sendo obrigados a ocupar a estrada. Tão absorvida, eu, caros leitores, que nem a ponta de um pé no asfalto!...
Quis dizer que não se preocupassem comigo, que com o calor que se fazia sentir até sabia bem, mas só consegui deixar sair uma boa risada que entretanto se formara na garganta. Contagiante, pelo visto!... Depressa os protestos se fizeram gracejo.

O poema?!... Não deixa pena. Desvaneceu-se ao primeiro contacto com uns pingos de realidade.





2 comentários:

Graça Pires disse...

Excelente, minha Amiga! São palavras que a maré traz e leva...
Um beijo.

Emília Simões disse...

Na verdade há dias assim!
Pena o poema, que decerto renascerá!
Beijinhos,
Ailime