Tinha o poema quase concluído. Fazia a minha
caminhada matinal e ele escrevia-se autonomamente no cérebro, passo a passo, sob a minha vigilância. Não ia mal de
todo. Seguia dentro dos tropos habituais,
iluminando os contratempos do tempo, o lado menos solar da vida que é onde ele mais gosta de permanecer. Havia umas hastezinhas a podar, é verdade, mas fá-lo-ia na hora de o transcrever no computador...
De súbito, um desses sistemas de rega
automática, confundiu-me, por certo, com um arbusto (andante) do jardim onde operava e
atingiu-me em cheio com um abundante aguaceiro.
Algumas pessoas que caminhavam uns metros atrás de mim indignaram-se logo, (em solidariedade), com a orientação dada ao “regador” que levava os transeuntes a desviarem-se
do passeio, sendo obrigados a ocupar a estrada. Tão absorvida, eu, caros leitores, que nem a ponta de um pé no asfalto!...
Quis dizer que não se preocupassem
comigo, que com o calor que se fazia sentir até sabia bem, mas só consegui deixar sair
uma boa risada que entretanto se formara na garganta. Contagiante, pelo
visto!... Depressa os protestos se fizeram gracejo.
O poema?!... Não deixa pena. Desvaneceu-se ao primeiro contacto com uns pingos de realidade.

2 comentários:
Excelente, minha Amiga! São palavras que a maré traz e leva...
Um beijo.
Na verdade há dias assim!
Pena o poema, que decerto renascerá!
Beijinhos,
Ailime
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