quarta-feira, 27 de setembro de 2017

A Ti





às vezes subo ao jardim
a procurar sofregamente um sinal de ti.
contaram-me que andaste por aqui
a semear utopias, a espalhar abelhas
e flores, a acender laivos de justiça,
pirilampos lúcidos 
pelo chão de todas as paisagens,
como se não soubesses,
de pedra,
as vocações dos homens.

de tudo isto meu corpo se ausenta
meu ser adoece, pálido, meu rosto se entorna
na saudade em que te transmutaste.

tu és a saudade. 
por isso, é que às vezes subo ao jardim 
a procurar sofregamente um sinal de ti. 
e não cedo, não cedo à tentação de cortar
aquela roseira branca, bela de ser única, última,
valiosa de ser inteira.
não poderei perder, para sempre
o eco perfumado da tua presença

em mim. 









 Daniel Gerhartz




3 comentários:

Anajá Schmitz disse...

Que lindo poema.
Bjos tenha uma ótima semana.

Graça Sampaio disse...

Lindo de mais!!!! Lindo, lindo!!!

Beijinhos para tal Poeta que assim poeta...

A Casa Madeira disse...

Que coisa mais linda!
Os dois; muita sintonia o poema e a imagem.
Continuação de boa semana.