sexta-feira, 20 de outubro de 2017

era a palavra que o levava


(Duy Huynh) 

era a palavra que o levava
e ele ia. Pelo pé do lápis, ia
sorumbático,
esquecido da sua função de gente.
diluia-se em [des]sentires 
e [des]viveres.

valia-lhe ter sido
colecionador de ruídos.
possuía gorjeios de pássaros
a acordar as manhãs,
rezas de louva-a-deus
em abundância,
sininhos silvestres,
sorrisos de gente,
[preferia os das crianças
a que juntava um ou outro, maior,                                                  
pelo tom sincero claro.]

era um poeta apaixonado
pela palavra outrora.
outrorava-se frequentemente.
tinha inclinações de sombra.
não raras vezes
batia à porta da própria casa
para apaziguar solidões.
mais das vezes
não se encontrava lá.



(reeditado)



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