(Google s/ ind. autoria)
17…18…19…20 minutos,
exercício obrigatório!
Pedi que montassem a
bicicleta
voltada para a parede das
telas.
Pedalo, assim, se quiser, ao
lado das raparigas
junto ao mar ou no campo de margaridas
ou, como agora, por dentro da
cesta tombada
dos girassóis…pedalo, pedalo
e não saio do sitio.
Nem aroma de maresia nem
sol na face
nem vento no cabelo…
Nada é real neste passeio
diário de fingimento.
Respiro fundo, enfadado, e aponto
o olhar à árvore do quadro mais distante,
pedalo,
pedalo, pedalo...
e não chego
a saber se os pássaros
a saber se os pássaros
já fizeram ninhos entre a
folhagem,
não lhes escuto o canto.
…
pedalo, pedalo, pedalo...
Escrevo, risco, apago… volto
a escrever,
exercício obrigatório! E não
saio do sítio.
Falta-me o aroma da maresia,
o sol na face, o vento no
cabelo,
o canto dos pássaros...
alguma coisa a que se possa chamar: realidade.

2 comentários:
Belo
Retrato perfeito de quase 10 milhões
de poetas e não poetas
e de suas bicicletas
Muito belo este poema!
Um beijinho.
Ailime
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