Fredrikstad (lago gelado)
as palavras nascem da tua boca.
oiço-as
e sei-lhes intuitivamente
os tons, os cheiros, os vincos da voz,
as
intenções tónicas de cada sílaba.
são
rebentos de benquerença,
que germinam no solo arável que sou
nascem em mim, e logo
as pouso na tua boca para as vivificar.
passeamos
pelas margens do lago,
o gelo geme quebradiço sob os pés
e os
patos reais interpelam-nos
filados
a algumas possíveis migalhas de pão,
derrapam
na superfície sólida do lago
abrindo as asas como
num velho desenho animado
de Walt Disney. fazem-nos subir ao rosto o riso mais remoto
que guardáramos há muito com outras coisas de infância
em gavetas meio esquecidas.
nunca
soube explicar aquela coloração
verde-azul - azul veludo, verde metálico -
que
reveste o pescoço dos patos machos.
em
tudo semelhantes às pequenas réplicas de louça
que, nítidas, observo numa sala do passado.
coloração
indizível igual à de certas palavras
que escorregam desajeitadas,
no gelo longo dos invernos, de asas abertas,
palavras de paz, à beira de nos fazerem felizes.
luzidias,
acetinadas… como a ternura.
quem
disse que tonalidades frias
não vestem a ternura?
quem
disse que um coração frágil, sempre a doer,
não
suporta o rumor escarlate de uma romã
se ela
vem, dadivosa, cercar o poema
à hora de alimentar os afetos?
2 comentários:
(deixa que pense que teu poema foi dedicado à Minha Alma. Sei que será presunção minha... mas deixa...)
Quem disse? Quem diz tantas coisas que não entende? Mas tu, minha Amiga, sabes do que falas e dizes as palavras certas que vêm direitas ao coração de que te lê.
Um Ano muito bom.
Um beijo.
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