(pintura: diego simancas)
pobre poema.
que fé o fará correr ainda
atrás da palavra divina?
afiançaram-lhe a sua
morte,
faz tempo…
desvincula-se, cético.
em fomes se afunda, o
poema,
animal sem dono, a deambular
nas ruas,
nas vielas...
ascende a
quartos escuros,
às sombras diurnas e
noturnas,
às horas sem música
nos subúrbios do sol.
nada mais lhe resta senão
farejar nauseado as
pegadas
da vulgaridade.
que há de fazer o poema?
despir a túnica
lisa,
sem costura
e roer os ossos rapados das
letras
que o deformam…
que há de fazer o poema?
arremessar pedras à lua
estilhaçar o luar,
envenenar o perfume das
tílias
a frescura das estrelas
e das framboesas e da
hortelã …
pobre poema, dessacralizado,
o que dirá?
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