quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

"Há beleza bastante em estar aqui"


(imagem:Google, pesquisa s/ ind. autoria)


amamos esta estrada
murmúrio ténue de um tempo vertical
antes da curva, além. sobre o porvir
teríamos ainda alguma coisa a dizer,
é possível...

deixemos, contudo, que o silêncio medre.
que as faces e arestas 
dos nossos poemas imperfeitos se extingam 
em lume brando,
até à cinza.

seremos assim,
sem idades nem saudades, 
mais breves e livres 
aquém da curva da estrada
onde nos temos.
do depois, nada nos é visível
e a poesia, infinitamente mais bela,
poupada ao peso insuportável da palavra 
pensada,

deixemos, pois, espaço para o silêncio.
que tome nos braços a cidade dormente
com suas mãos frias, crisântemos brancos
no âmago da noite
como um luar triste caindo sobre escombros.
deixemos...


(reescrito) 


1 comentário:

Rogério G.V. Pereira disse...

É belo, muito belo
mas não posso
na verdade, concordar

o silêncio é um momento
que se espera breve
o suficiente para encontrar
a chave de acordar a cidade