quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

"Que importa a fúria do mar"



Ana Margarida de Carvalho! 
Conheci-a pessoalmente na Feira do Livro de Braga, no verão passado. Alguém nos apresentou. Discreta, objetiva, lúcida e linda. Dizia sobre a escrita, sobre a vida, sobre o mundo, muito do que eu pensava. Gostei de a ouvir, gostei dela, mas confesso que, até há uns dias atrás, ainda não me tinha interessado verdadeiramente pela sua obra. Talvez por ser jornalista. A escrita dos jornalistas/escritores, na sua maioria, é demasiado linear, factual até,  o que não me agrada particularmente, enquanto texto literário.
Tenho agora em mãos o mesmo livro que ela segura na foto, mas o meu tem uma cinta em azul informando que o romance é "Vencedor do Grande Prémio do Romance e Novela da APE-DGLAB - 2013". Não terá sido esse facto que me levou a comprá-lo, pois o mesmo estava em fila de espera, para ser lido, no seu devido lugar, sem ultrapassar ninguém, sem lugar de destaque apesar da simpatia que a autora me tinha inspirado e... da cinta azul.
Mas, a verdade é que a leitura está a ser uma experiência absolutamente surpreendente. Já me levou a Saramago, aqui e ali, na minúcia descritiva. Um ambiente imagético conseguido sem floreados, liso, claro, concreto;  uma intensidade narrativa que mexe com as emoções, que perturba, parecendo não querer mexer com as emoções, não querer perturbar. Uma surpresa tão grande e tão boa! Não, a nossa literatura não corre perigo. Está bem segura nas mãos de uma nova geração de romancistas que emerge decidida, com raízes firmes. Digo eu! 

Poetas?!... Bem, esses não têm muitas hipóteses, digo eu, depois de Camões, Pessoa e outros poucos que tais... o caminho é sempre a descer.