Chegas
tardiamente a ti próprio
e perguntas: quanto pesa no bolso
um lamento?
Deitas
uma pedra ao mar, timidamente.
Outra
e outra ainda…
Abandona-las.
Insanas figurações
como
palavras. Por exemplo: sombra.
Se pudesses deixá-la
em sossego
debaixo de uma tília de verão
onde
trebelham zumbidos e crianças...
Deixa-a.
As
nuvens, solta-as no vento. Se são naves
que
naveguem. Se pudesses erradicar certas imagens,
certas palavras. Não
as palavras propriamente,
mas
quanto nelas engana, se debate e sangra.
O
próprio vento, a sombra, a nuvem, o lamento,
coro
de pedras frementes, a bramir,
na distância
onde já nem o sol sabe nascer.
Quanto pesa no bolso um lamento?
Mais ou menos que um lavar de mãos?
