(imagem: pesquisas/ ind. autoria)
todas
as manhãs, as musas Erato e Euterpe
largam
lira e flauta e descem,
pela
vertente mais florida do Monte Olimpo
transportando
cestas cheias de poemas perfeitos
[desfeitos] para a
distribuição diária.
os
poetas pressentindo-lhes a respiração
despertam, mas
nunca a tempo
de
reclamarem para si os poemas que
gostavam
de escrever.
são
elas, as musas, que elegem as palavras
e sem
critério racional que se conheça
as
entregam aos poetas para que componham
os poemas do dia.
reservam
aos apaixonados felizes, as de amor:
beijos,
olhares, promessas, carícias,
como
se necessitassem de palavras
os
apaixonados felizes.
aos
desatentos oferecem palavras aladas:
nuvem,
zumbido, azul, sonho…
aos
outros, aos desencantados, entregam as restantes:
saudade,
ausência, solidão… e outras que fazem chorar.
nem
sempre justas as musas.
ainda
hei de subverter-lhes as intenções,
a
[des]ordem fundada.
ainda
hei de escrever sonho com palavras de
água
e saudade com palavras felizes de amor
e com palavras magoadas,
hei de escrever um rio em flor.