[imagem: fototeca do Museu Nogueira da Silva - Unv. Minho]
Farricoco:
Figura
sinistra que regressa de um passado remoto a Braga, na Semana Santa. Enverga
negros balandraus e anda pelas ruas, em penitência, descalço. Com as suas
matracas barulhentas, anuncia os suplícios de Cristo e chama os fiéis para os
ofícios religiosos da quinta-feira santa.
Já lhes tive
medo, é verdade, mas só em criança, especialmente porque tapam o rosto. Agora, é um sentimento de compaixão o que resta.
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Os farricocos eram as misteriosas
criaturas que, outrora, iam em penitência recolher os ossos dos condenados à
forca que a sociedade e a família deixaram a apodrecer nos locais de execução.
Sob os lúgubres balandraus transportavam em procissão (a chamada “procissão dos
ossos”) os míseros esqueletos daqueles infelizes que aguardavam, nas forcas,
dias, semanas e meses por uma oração ou por um gesto de compaixão que não
havia.
Hoje, os farricocos ainda são vistos
nos momentos mais pungentes das celebrações da Semana Santa em Braga. Um evento
notável que, incompreensivelmente, ainda não foi (nem se sabe quando será)
classificado como Património Mundial pela UNESCO.
AP
in Diário de Trás-os-Montes
Desejo uma
Páscoa Feliz
