quinta-feira, 29 de março de 2018

Farricoco

[imagem: fototeca do Museu Nogueira da Silva - Unv. Minho]

 
Farricoco:

Figura sinistra que regressa de um passado remoto a Braga, na Semana Santa. Enverga negros balandraus e anda pelas ruas, em penitência, descalço. Com as suas matracas barulhentas, anuncia os suplícios de Cristo e chama os fiéis para os ofícios religiosos da quinta-feira santa. 
Já lhes tive medo, é verdade, mas só em criança, especialmente porque tapam o rosto.  Agora, é um sentimento de compaixão o que resta.

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Os farricocos eram as misteriosas criaturas que, outrora, iam em penitência recolher os ossos dos condenados à forca que a sociedade e a família deixaram a apodrecer nos locais de execução. Sob os lúgubres balandraus transportavam em procissão (a chamada “procissão dos ossos”) os míseros esqueletos daqueles infelizes que aguardavam, nas forcas, dias, semanas e meses por uma oração ou por um gesto de compaixão que não havia.
Hoje, os farricocos ainda são vistos nos momentos mais pungentes das celebrações da Semana Santa em Braga. Um evento notável que, incompreensivelmente, ainda não foi (nem se sabe quando será) classificado como Património Mundial pela UNESCO.
AP
in Diário de Trás-os-Montes

Desejo uma  
 Páscoa  Feliz