segunda-feira, 2 de abril de 2018

Hans Christian Andersen



«É da realidade que nascem os contos mais espantosos.»
Hans Christian Andersen



Hans Christian Andersen queria ser um poeta para todas as idades e conseguiu-o: há mais de um século que cativa os corações tanto de crianças como de adultos. Notáveis pela capacidade descritiva e profunda sensibilidade, os seus contos transmitem lições subtis sobre diferentes aspetos do comportamento humano […]
In contracapa

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Do mestre dinamarquês, tenho a última edição de “Contos” editada na “Temas e Debates - Círculo-Leitores” (novembro, 2015). Reúne 156 contos, todos eles fascinantes porque conjugam em si três dimensões fundamentais, na literatura para os mais novos: estética, lúdica e ética.
 Nunca me cansarei do “Era uma vez, num país distante…”  



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O menino que não gostava de ler

    […]

eu, o narrador, sei por experiência que se puser as palavras todas de castigo, não consigo contar história alguma porque qualquer história necessita de acontecimentos e os acontecimentos necessitam de acontecer, mas sem palavras não podem existir, pelo menos dentro de livros. O que também acontece, por vezes, é que algumas palavras gostam de criar desordem nas minhas ideias quando tenho de as escolher para as minhas histórias. É preciso acarinhá-las, domesticá-las primeiro para que digam o que eu quero dizer e não o que elas querem desdizer.

Bem, bem, voltemos atrás:

Era uma vez, num país distante, um menino que não gostava de ler.
Como é que eu sei? Basta vê-lo na biblioteca: enquanto os seus colegas se deleitam com livros de ciência ou de aventuras, de viagens fantásticas cheias de peripécias, de perigos e desafios, de heróis que vencem monstros medonhos, de monstros medonhos que querem ser heróis, ele, o menino que não gostava de ler, mexe distraidamente numa estante, a escolher com o máximo cuidado o livro que não vai ler. Pega num, coça o nariz, folheia outro, coça a cabeça, ri-se de um que lhe faz cócegas na barriga e boceja ao tocar noutro que lhe dá uma grande soneira. Há um que pesa muito e outro que pesa pouco, um grande de mais e outro demasiado pequeno; e outro e mais outro e uma estante cheia deles e por cima dessa outra, e outra debaixo dessa, e nenhum livro que o menino queira ler, não fosse ele o tal menino que não gostava de ler.
[…]

Excerto de um conto meu (inédito) neste
 Dia Internacional do  Livro Infantil

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