Chegas,
barco deslizante sobre a
lisura azul da água
a cobrir um pensamento,
quiçá, demasiado matinal.
Desta imagem, guardo um
cântaro de água, já aqui
para não morrer de sede,
além.
Súbito, o medo de adoecer,
outra vez
do neo-bucolismo crónico que
me afeta.
Expulso das mãos os juncos
esguios
os salgueiros chorosos, os
adjetivos faustosos...
Às garças que se aproximam,
garbosas
xô… xô…xô…
até que em nuvens de penas
se desfaçam.
O estrondo de uma cadeira a
cair
estilhaça fatalmente o
silêncio,
bomba violenta riscando a
fogo o céu.
Não chegas, afinal. O poema
é convulsão e ruína,
um choro apavorado de
crianças nuas,
ao longe,
e esta febre cava incapaz de
afrontar a noite,
as garças… as graças… as
garças!
(imagem s/ ind. autoria)
