quarta-feira, 11 de abril de 2018

Morada





Amo esta morada maternal
sem paredes nem portas,
amplitude branca, terra sem dono
onde deixei morrer a infância
sem encontrar o mundo.

A lentidão dos regatos
encerrados na memória,
partículas de prata
sobre a cabeça da mulher
que escondeu os cabelos
para não ser magoada.

E o espanto a tanger o corpo
que dança na dança das árvores, das águas,
dos pássaros, dos claustros e pátios,
dos bichos que se devoram
desconhecendo o ódio.
[Diferentes dos homens
que em ódio se devoram].

A Vida, convulsão do Belo.
Pode ser convulsivo, o Belo.
E angustiante. Porém, desafio eterno
a contrariar a morte.
A beleza, matéria flutuante
no princípio da perfeição 
de todas as coisas
sobre os calhaus do rio.


 (imagem: pesquisa s/ ind. autoria)