Tenho notado que ultimamente um inapropriado "é assim" surge,
como um dedo estendido, a dar início ao discurso verbal de muita gente,
confundindo-se este facilmente com uma abusiva sentença ou dito irrefutável...
Ouço-o por todo o lado e, de cada vez que o ouço, fico a divagar, a tentar
perceber com quantos paus se faz um "é assim".
Deve ser moda, cá p'ra mim:
ao abrir uma alocução
lá vem um decidido "é assim"
e sem porquê nem por que não
dois pontos altivos, seguidos
de uma descosida conclusão.
E logo ali o diálogo
à partida estrangulado
e o ponto final indignado
já não distingue o fim
da conversa que seria
não fosse o tal "é assim".
Sendo o discurso concluído
com uma vírgula sempre à mão
por que hei de eu procurar
para isto uma solução?
Não me serve tal medida?Enfim,
melhor ficar calado
não sou dado ao "é assim"
Não me agrada... (reticências)
e mais não digo
que não estou convencido
dos sinais pré-concebidos
que vestem um "é assim"
só [mau] princípio
sem princípios, meio ou fim.
Para mim não "é assim" : (dois pontos)
