Quando está de sol, a cidade é mais perto. E mais suportável. E mais bonita. Os
pássaros ateiam-se nas árvores e, como por instinto, erguemos a atenção acima do
ruído dos automóveis à procura dos violinos, das flautas, dos oboés e seus vibratos encantatórios, orquestração inesperada. Subimos ao piso de cima da cidade,
com o nariz a apontar o azul. Tudo o que é rasteiro e feio como o lixo, as ervas
daninhas, os ratos, as baratas, fica do outro lado, do lado de baixo, rente ao
solo, o que obriga o queixo a abeirar-se do peito num movimento sinuoso de
abatimento e repulsa que os olhos preferem desconhecer.
(Mau,
esta coisa apareceu publicada, quando ainda a julgava na oficina para acabar de escrever e depois corrigir. Que chatice! Agora fica assim! Vou acrescentar um título. E
uma fotografia, já agora.)
