sábado, 21 de julho de 2018

Gardénias


…Uma alameda inteira de rododendros por onde o vento,
ao passar, parasse deslumbrado
 
 e em desvelo. 
Ana Luísa Amaral


O jovem arbusto  
floriu sem pudor
pela primeira vez.
Veio cá ter, ao jardim,
ao poema
por obra e graça de
Garcia Márquez
que foi quem primeiro
me deu a ler
a palavra gardénia.
Tal como o rododendro
seduziu Ana Luísa Amaral,
inicialmente,
pela sonoridade do nome
mais que pela “coisa” nomeada,
também a gardénia…
a gar-dé-ni-a
despertou em mim
uma sensação leve,redonda e branca
a deslocar-se da música à seda, à flor,
à música, de novo...


Mas o perfume,
só hoje com volúpia o provei
Mirtilo, morango, medronho, amora,
um sabor a
O Amor em tempo de cólera,
o amor romântico
com que, solícitas, as gardénias
tentam convencer-nos.