segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Coroação

(Imagem s/ ind. autoria)


Um dia, serás o meu poeta, vais ver:
cinjo-te a cabeça com uma coroa de louros,
triunfal,
igual à de Camões
que amou
todas as damas da corte
como quem escreve uma epopeia.

Entre elas, Natércia
que afinal era Catarina  
que afinal, Maria
que afinal, Violante
que afinal, Bárbora,
[aquela cativa 
que me tem cativo]

Um dia construo com as minhas mãos
um troféu de formas redondas, 
em pedra lisa,
sem vértices que te firam.
Lisa e branca,
[mais que mármore,
mais que as gemas brancas
dos ourives]
para premiar tuas ardentes devoções, 
tuas fogosas conquistas.

Depois ficaremos a olhar-nos
no espelho do lago, ao luar:
Tu, poeta coroado, eu, plebeia,
guardadora de cisnes
sem rendas nem brocados.
Nem Natércia 
Nem Catarina
Nem Maria
...