Um dia, serás o meu poeta,
vais ver:
cinjo-te a cabeça com uma
coroa de louros,
triunfal,
igual à de Camões
que amou
todas as damas da corte
como quem escreve uma
epopeia.
Entre elas, Natércia
que afinal era
Catarina
que afinal, Maria
que afinal, Violante
que afinal, Bárbora,
[aquela cativa
que me tem cativo]
Um dia construo com as
minhas mãos
um troféu de formas
redondas,
em pedra lisa,
sem vértices que te firam.
Lisa e branca,
[mais que mármore,
mais que as gemas brancas
dos ourives]
para premiar tuas ardentes
devoções,
tuas fogosas conquistas.
Depois ficaremos a olhar-nos
no espelho do lago, ao luar:
Tu, poeta coroado, eu,
plebeia,
guardadora de cisnes
sem rendas nem brocados.
Nem Natércia
Nem Catarina
Nem Maria
...
