
Ouvi dizer do amor:
um relâmpago,
um zigue-zague incandescente,
o assopro
de todas as (des)significações.
Nem tanto, nem tão pouco…
Demasiado fugaz, talvez
demasiado fútil,
frouxa incandescência.
Voraz. Mas pouco.
Não derruba árvores,
não acorda os mortos,
não queima searas.
Lasso, inconsequente...
Logo, por certo,
incerto.
Fico com o oiro,
leva algumas papoilas,
se quiseres,
mas não todas, por favor.
Não suportaria,
diante dos olhos nus, a vastidão
ocre do vento
sem o júbilo de um rubro
contrastante a equilibrar
o verbo.
(Sandra Bierman)