segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Adonis, "Seis notas do lado do vento" (4)

     (Óleo sobre tela,
o meu poema, hoje)

    «A poesia, nos nossos dias, expõe-se a um perigo que não vem dela, mas da palavra que se lhe refere. Ela é ofuscada por essa palavra. O leitor já não lê o poema, lê o poeta, as suas referências, as suas inclinações. Lê o que lhe declaram do poeta e da poesia. O poeta tornou-se para o crítico um meio de afirmar as suas opções, de expor as suas teorias, não de dar acesso ao poema enquanto tal. Trata-se aqui de uma crítica que decifra a  poesia por intermédio do mundo. A verdadeira crítica é o seu oposto, desvenda o mundo através da poesia. Acede às energias da própria língua sem outro instrumento que não seja só a poesia.»


Adonis (2016:p.50), O Arco-Íris do Instante.


Não admira que a Poesia se sinta ofendida. 
Para mim sempre foi a poesia pela poesia, com palavras ou sem elas. Sempre onda e vento. Quem já viu estáveis, uma onda, um sopro ou uma rajada do vento?