(Óleo sobre tela,
o meu poema, hoje)
«A poesia, nos nossos dias, expõe-se a um perigo que não vem dela, mas da palavra que se lhe refere. Ela é ofuscada por essa palavra. O leitor já não lê o poema, lê o poeta, as suas referências, as suas inclinações. Lê o que lhe declaram do poeta e da poesia. O poeta tornou-se para o crítico um meio de afirmar as suas opções, de expor as suas teorias, não de dar acesso ao poema enquanto tal. Trata-se aqui de uma crítica que decifra a poesia por intermédio do mundo. A verdadeira crítica é o seu oposto, desvenda o mundo através da poesia. Acede às energias da própria língua sem outro instrumento que não seja só a poesia.»
Adonis (2016:p.50), O Arco-Íris do Instante.
Não admira que a Poesia se sinta ofendida.
Para mim sempre foi a poesia pela poesia, com palavras ou sem elas. Sempre onda e vento. Quem já viu estáveis, uma onda, um sopro ou uma rajada do vento?
