Vestidas
de nuvens,
falavam da luz, às escuras.
Desfolhavam
flocos de cardos
e espraiavam o olhar sobre os campos
ao fim da
tarde. Colhiam beijos de outono
das
árvores, umas gotas de música,
umas sílabas
de água. Não, nada de azul - dizia.
Ultramarino
celeste cobalto…
Azul
nenhum, hoje, que são verdes
os teus
olhos. São?
Não, não
vou ser barco nem proa
vento ou mar que te faça viajar - dizia.
A sombra de
um assombrava a sombra
do outro.
Eram duas sombras assombradas.
Amanhecemos juntas, aqui mesmo
– disseram em uníssono as duas sombras
no momento
único em que se viram
frente a frente a cores num poema-claridade.
