sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Sombras coloridas



Vestidas de nuvens,
falavam da luz, às escuras.

Desfolhavam flocos de cardos
e espraiavam o olhar sobre os campos

ao fim da tarde. Colhiam beijos de outono
das árvores, umas gotas de música,

umas sílabas de água. Não, nada de azul - dizia.  
Ultramarino celeste cobalto…          

Azul nenhum, hoje, que são verdes
os teus olhos. São?

Não, não vou ser barco nem proa
vento ou mar que te faça viajar - dizia.
           
A sombra de um assombrava a sombra do outro. 
Eram duas sombras assombradas.

Amanhecemos juntas, aqui mesmo 
– disseram em uníssono as duas sombras

no momento único em que se viram
frente a frente a cores num poema-claridade.