domingo, 23 de setembro de 2018

Olhares (1)




O primeiro olhar:


tudo se desequilibra sobre uma ponte
oscilante
um movimento desarticulado
numa lógica inconsequente.
A hora demasiado longa,
demasiado breve,
demasiado gélida,
demasiado seca.
As lágrimas esquecidas
num silêncio de ermida.

Anda-se em círculos,
depois de tudo desmontado,
nada retoma à forma inicial.
Percorrem-se os lugares de ontem. 
Germina aqui uma flor, ali um sorriso meigo. 
Quero ficar com a flor,
com o sorriso, agarro-os,
mas puxam-me mãos violentas 
para o longe.

Uma palavra desatenta faz-se ao voo,
as asas quebradas.
Cai inanimada.


O segundo olhar:






(imagem: Marcia Wegman)