O primeiro olhar:
tudo se desequilibra sobre
uma ponte
oscilante
um movimento desarticulado
numa lógica inconsequente.
A hora demasiado
longa,
demasiado breve,
demasiado gélida,
demasiado seca.
As lágrimas esquecidas
num silêncio de ermida.
Anda-se em círculos,
depois de tudo desmontado,
nada retoma à forma
inicial.
Percorrem-se os lugares
de ontem.
Germina aqui uma flor, ali um
sorriso meigo.
Quero ficar com a flor,
com o sorriso,
agarro-os,
mas puxam-me mãos violentas
para o longe.
Uma palavra desatenta
faz-se ao voo,
as asas quebradas.
Cai inanimada.
O segundo olhar:
…
(imagem: Marcia Wegman)
