Segundo olhar:
Na minha terra
o outono tem uma luz que é só sua.
É por ela que me levanto cedo,
para a beber banhada na frescura
das horas primeiras da manhã.
Lentamente,
como um sumo de frutos
acabado de fazer.
E os muros no outono têm a cal acesa
dos poemas de Eugénio,
e os versos,
as bocas tingidas pela doçura
das últimas amoras.
Cheira a mosto, sabe a vinho. É
bebedeira,
dança, fascinação,
o outono na minha terra.
Tocam-me à campainha. Atendo. Estendem-me
um cestinho cheio de figos maduros. [Outro?]
"Para adoçar o domingo".
No outono, no recanto mais sombrio do quintal,
há um vaso novo de nostalgias em
flor.
Pudesse eu ignorá-lo…
Terceiro olhar:
...
...
