(À
Lídia, em mim)
Os olhos pousados
num silêncio de
cordilheira
entre sombra e névoa.
Deve ser num lugar
como este
que os deuses
se ocultam dos
homens.
Tateiam meus dedos
de estrelas apagadas
um canto arável
onde floresçam lírios.
Há de existir algures
uma lavoura de
lírios.
É então que te
encontro,
peregrina descalça,
crente, serena e crédula.
Leva-me para dentro
da tua solidão
alumiada.
Deixa-me ser contigo,
nessa oração inaudível,
o êxtase da
música
que adivinho,
a letra das letras
onde depões cansaços
e suturas feridas em
chama
no entardecer de cada
jornada.
Deixa-me ficar nos
teus olhos,
no lento rumor da água que passa.
Deixa-me descansar
os sonos que não dormi
assim vestida de ventos,
coroada de pássaros
indomáveis
que ora te nutrem
ora te matam.
(pintura: pesquisa google s/ ind. autoria)
