terça-feira, 4 de setembro de 2018

"tudo é despeito, tudo soberba e força"

ao povo brasileiro, 
vítima de mais uma, 
entre tantas, calamidades.

São escravas as vontades
sob o jugo do banal,
tanta raiz decepada
tanta foice afiada
afastada do trigal.

Por vezes sustenho a voz
para a não ver sofrer,
tudo é despeito e soberba
lume vivo, as imagens
da História a perecer.

Por vezes sustenho a voz
não sei bem o que dizer,
faz-se cinza a coragem:
tanto passado a arder,
tristes fósseis da miragem.

No coração condoído
as lágrimas, como rio,
não extinguem as chamas
nem lavam as mãos profanas
de infernos consentidos.






1 comentário:

lis disse...

Triste momento_ e bela composição Lídia
Obrigada pela solidariedade.