Giardino margherita
A ideia passara
quase impercetível
pela correnteza apressada do ar.
Tocara ainda seu corpo esquivo
com a ponta dos dedos.
Imaginou-a, a verde claro
na cinza fria sob os pés dos homens,
metade memória, metade esquecimento.
A ausência do canto há muito dera lugar
ao reino das máquinas insaciáveis
e à explosão de flores e hinos inteiros
presos à inquietude atenta dos dias.
Só do esquecimento nascia,
um campo de margaridas,
um pomar, uma seara
na imprecisão de tudo,
no delírio de palavras entorpecidas
que a nova infância do vento semeava,
terra, fruto, trigo, pão,
a repetida gestação
de palavras abnegadas de abril
até à outra margem do rio
ou do Sonho.
