Sei-te sem precisar de olhar os teus olhos.
E tu estás próximo. Tanto
que nem distingues
a minha sombra
da minha
luz…
Sentámo-nos
tranquilamente
no rebordo
do mundo.
É sempre
tão cedo em agosto!
Temos um
bordado nas mãos.
Azul.
E nenhum
fio solto nas paisagens
que deixámos
para trás.
Vindo do
lado das montanhas
um sopro
de vento vagaroso
derrui a nossos pés a
primeira folha,
a última maçã.
a última maçã.
Também caíremos.
E nada dentro de nós estremece
diante desta imagem tensa.
A tarde vai descendo levemente
em direção ao mar.
A esta
hora
tudo se
parece já com uma despedida.
E sorrimos ainda,
[agosto é sempre tão cedo].
E sorrimos ainda,
[agosto é sempre tão cedo].
Se déssemos um passo atrás
não nos reconheceriam
os espelhos da casa.
Lídia Borges
Lídia Borges
pintura: Charles Frederic Ulrich
- 1890