sábado, 10 de agosto de 2019

MAR



Não é fácil dizer seja o que for
diante do mar,
se é verão.


Acorre ao sul, excesso e lume,
o sol que falta na alma,
no coração,
nas análises clínicas...


E todas as coisas em redor cintilam
serenamente, sem peso, sem crueldade
e amo sobre a pele esse sopro de vida,
esse azul da luz saturado de água,
puríssimo.

Fecho os olhos com receio de cegar.

Para a minha solidão
eu queria um azul como este,
assim secreto,
subindo, lentíssimo,
ao lugar mais ermo do poema
onde a palavra se resguarda.



Lídia Borges 


(reeditado)