terça-feira, 17 de setembro de 2019

Agora


(pintura: Amadeo de Souza-Cardoso)


Ah, a infância dos olhares e das palavras…

Agora eu era outra vez eu
e tu eras tu outra vez.
Galgávamos utopias e sonhos,
abríamos as mãos ao espanto
e estávamos sempre a perguntar
quem éramos.

Agora eram vivas, outra vez, 
as canções e as flores  
e nós acabávamos de chegar de longe
para nos fecharmos um no outro.

Agora não sabíamos já conversar
deixávamos secar as nossas vozes.
Falávamos como os outros...
ou ficávamos silenciosos
nos nossos desencontros
cheios de lugares fantásticos. 


Não olhes.  Não olhes. É bom fechar os olhos
Muito… muito… e não pensar…
Foi um poeta quem mo disse.
E sorria. Nem parecia ter a noite
mesmo ali a seu lado. 
Eu vi-a!