(pintura: Amadeo de Souza-Cardoso)
Ah,
a infância dos olhares e das palavras…
Agora eu era
outra vez eu
e tu eras tu
outra vez.
Galgávamos utopias
e sonhos,
abríamos as
mãos ao espanto
e estávamos
sempre a perguntar
quem éramos.
Agora eram
vivas, outra vez,
as canções e as flores
e nós acabávamos de chegar de longe
para nos
fecharmos um no outro.
Agora não sabíamos já conversar
deixávamos secar as nossas vozes.
Falávamos como os
outros...
ou ficávamos silenciosos
nos nossos
desencontros
cheios de
lugares fantásticos.
Não olhes. Não olhes. É bom fechar os olhos
Muito… muito…
e não pensar…
Foi um poeta quem
mo disse.
E sorria. Nem parecia ter a noite
mesmo ali a seu lado.
Eu vi-a!
