I
Com o tempo as palavras tomam-se
de indistintas confianças.
Ainda que cerimonioso
o trato que lhes damos
tendem a exceder-se,
a largar o fato, os
sapatos,
a tirar a gravata,
a usar pijama e chinelas
na sala de visitas,
a confundir descontracção
com má educação.
II
Pedem-nos que desçamos uns degraus
na escada [inviolável] da compostura,
que nos sentemos à mesa com as mãos por lavar
e que nos deitemos de olhos baços,
Pedem-nos que sejamos quem não somos
dentro de nossas paredes robustas. Ignoramos.
As palavras, as palavras…
Involuntariamente
acabam por instruir-nos na arte de calar.
Logo elas, as palavras, que subsistem, apenas,
para amordaçar silêncios. Impossíveis.
Enfim…
III
Os mestres não são infalíveis.
