Deste caderno decoro páginas
derrubo pontes que eram no pensamento.
Visito lugares onde estivemos
juntos: a cidade
o mar a quinta o monte a igreja o céu,
a infância da casa e dos
olhares.
Permito que cresçam os trevos
as ervas daninhas as
flores silvestres
nesses lugares onde fomos para sempre.
Ecos coloridos no cerne das palavras
que se perdem a
caminho da boca.
Deixo que se desalinhem
tempo e espaço
numa espécie de abandono
aquiescido.
Não sei como te perdoar.
Desculpa
eu não saber como perdoar
o escuro superlativo dos teus olhos
quando decidiste anoitecer
sem mim.
Não sei como te perdoar
como perdoar a mim própria
estes olhos meus de ver claramente
no escuro.
Lídia Borges
(de um caderno de poemas encontrado por mero acaso, dentro de uma pasta velha. Sem datas.)
(imagem: pesquisa Google s/ind. autoria.)
como perdoar a mim própria
estes olhos meus de ver claramente
no escuro.
Lídia Borges
(de um caderno de poemas encontrado por mero acaso, dentro de uma pasta velha. Sem datas.)
(imagem: pesquisa Google s/ind. autoria.)
