Duy Huynh
I
Uma luz vivificante chama, lá
fora.
As frésias os junquilhos as
tulipas
abriram em dádiva,
os jarros desdobraram-se,
brancos e aprimorados,
as ervas aromáticas alegram-se
disseminando seus odores
depurativos.
II
O silêncio que vem da rua
é cheio de vestígios de pássaros
insontes.
Já em casa deambula,
pousa seus pés cuidadosamente,
sem peso, sem pressa, sem direção.
No encontro dos dois
silêncios,
o de dentro e o de fora,
uma face distinta vem desligá-los
de experiências outras, de outras horas,
de outros dias, de outro
tempo,
de outros momentos onde os
sons
se diluíam em sinal de submissão
à chegada do cansaço.
É uma face nova do silêncio, esta.
Parece possuir em sua raiz encoberta
qualquer coisa que se amedronta
que se adoenta e
putrifica.
Neste novo arfar sobre todas as coisas
adivinha-se uma batalha
a decorrer nos
bastidores do sol
onde a noite arguta prepara a festa.
Entre os desertores não se
conta a Poesia.
A Poesia fica.
Lídia Borges
