Deixa…
Entre o
esquecimento
e a maré cheia
do poema
tudo há de
acontecer outra vez
Um dia
entras no bosque
como se nada
mais
desejasses deste
mundo,
agarras a
infância guardada à pressa
no tronco
carcomido do velho carvalho
E no teu
esquecimento
faz-se dia e
tu falas e ris
e pensas e
tudo é rigor
sol, matéria
absoluta,
todas as
coisas antigas
giram em torno
do seu tempo futuro
A imagem
pressentida do amor
uma rosa, um
verso louco, uma cítara…
bailam entre
o esquecimento
e a maré
cheia do poema
Tão longe do
inverno estas vagas.
Coisas
friáveis… uma sede!
Lídia Borges (2015:p.113), Baile de Cítaras, Poética Edições.
