(imagem: Ângela Felipe - Série Jardim)
I
Poeira
É tempo
de arrumações
no
espaço celeste.
Os
anjos despiram as asas
calçaram as luvas
calçaram as luvas
puseram
os aventais e os manguitos
e
estão agora a higienizar o azul
a sacudir das nuvens
a sacudir das nuvens
os
raios púrpura e cinza.
As
nuvens derramam débeis lágrimas,
diminutas
para a erradicação da fuligem na terra.
II
Pólen
Aos
poetas compete permanecer.
Recolher
o pólen
para
fecundação breve de assombros.
III
Grão
Lavra
uma chama
que
fora inanimada
no cerne do inverno.
É
tranquilo o sorriso
dos
que semearam
os
campos áridos
em longas e solitárias horas.
Uma
chama
que
se reclama flor
e
em si contém a luz diurna
interdita aos sentidos, ainda.
Ó
virtuosa Natureza!
Lídia Borges
