Vejo como a noite desce do teto.
Sua gravidade comeu-me a língua,
desampliou-me,
abreviou minhas intenções
de orvalho.
Verifico as incompetências
para o lavradio das horas.
Meu horizonte é um alfabeto
de andorinhas por vir.
Ocupa-me o inseto azoado
que veio morar em meu ouvido.
Zune, insubmisso.
Tesouras esporeadas no vento
estão a devorar-lhe as asas. Eu oiço.
Em breve calar-se-á.
Lídia Borges
(imagem: Ilya Ibryaev)
